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A globalização na sua vida / Globalization in your life: Que País é Portugal?

domingo, 9 de março de 2008

Que País é Portugal?

Que país é Portugal? Nesta análise, procuraremos descrever o país onde vivemos, recolhendo dados de 2005 e do Censo 2001 e elaborando, por vezes algumas comparações e alguns artigos pessoais, de carácter subjectivo.
Assim, iremos analisar os seguintes temas:

· Demografia e densidade populacional
· Religião
· Aspecto social
· População activa por sectores de actividade
· Finanças e Dependência externa
· Dimensão
· Recursos naturais
· Educação
· Mentalidade

Inicialmente, podemos referir que Portugal actualmente tem cerca de 10 milhões de habitantes, uma densidade populacional baixa 114hab/km2.

A religião predominante é a católica romana (semelhante a Espanha, França, Itália e Bélgica).
Em termos sociais, é um dos países com maior taxa de desemprego total (cerca de 8.5%) e de desemprego entre os jovens activos entre os 15 e os 24 anos (15.9%) e apresenta uma percentagem de idosa significativa (17%). A taxa de natalidade é quase igual à taxa de mortalidade e o saldo migratório foi positivo até 2003 (data em que entrámos em crise económica). Tradicionalmente Portugal é um país de emigrantes, possuindo comunidades importantes em países como o Canada, França, Alemanha, Brasil e EUA. No entanto, nos últimos anos e após a adesão à U.E, com o aumento do nível de vida, Portugal recebeu um número elevado de imigrantes provenientes da Europa de leste (Ucrânia, Roménia e Bulgária) e da CPLP (Brasil, Cabo Verde e Angola)

O principal sector de actividade é o sector terciário (serviços), com cerca de 2 800 000 trabalhadores, seguindo se o sector secundário com cerca de 1 600 000 (industria) trabalhadores e por último o sector primário (agricultura e pesca) com apenas 231 000 trabalhadores.

Em termos de finanças, Portugal tem uma dívida pública de 65%, um saldo orçamental de -3% e um PIB per capita em PPC de 65 (a média da EU é 100). Para além disso, a taxa de inflação (calculada pelo IHPC) é de 3%.

Em termos de dependência externa, Portugal realiza mais importações do que exportações, possuindo uma reduzida dependência Hídrica mas uma elevadíssima dependência energética em termos de petróleo, gás natural e carvão e consequentemente de electricidade. No entanto aposta em energias renováveis, principalmente a energia eólica.

Em termos de dimensão Portugal é um país pequeno (92 000 km2) e possuí uma variedade reduzida de recursos naturais. Apenas tem uma elevada disponibilidade hídrica, de rochas ornamentais, sedimentares e alguns minerais pouco explorados. Em termos turísticos temos disponibilidade em termos de praias e turismo rural embora mal aproveitado sendo a oferta muito dirigida para o mercado interno.

A escolarização em Portugal, sobressai pela negativa. Em 2006, cerca de 39% das pessoas entre os 18 e os 24 anos tem apenas o 9º ano ou menos. No mesmo ano, apenas 3.6% dos adultos tinham uma profissão relacionada com o ensino (contra 12.2% em Espanha ou 29.1% no Reino Unido).

Terminado a parte expositiva do texto, é necessário entrar numa vertente cultural e de mentalidade, na qual tentarei analisar a população e a sociedade portuguesa, quer de uma óptica interna quer externa.

Em suma, Portugal não é um país “abençoado” com matérias-primas muito rentáveis, tem uma História complicada, foi colonialista mas desperdiçou dinheiro em excesso, endividando-se. Saiu tarde de uma situação de ditadura fascista que lhe causou importantes atrasos ao nível da industrialização e do desenvolvimento, a religião católica romana representa cerca de 92.2% da população. Por último, encontra-se na 29ª posição do IDH e aderiu à UE em 1986 e à moeda única a partir do ano 2000.

No entanto, Portugal apresenta problemas de desenvolvimento em relação aos restantes países europeus, algumas delas decorrentes de factos sociais, outras de políticas económicas incorrectas.
Assim, posso enumerar alguns problemas sociais com base em alguns provérbios e ditos populares da sociedade portuguesa:

“Faz o que eu digo e não o que eu faço”
“Quem espera sempre alcança”
“Devagar se vai ao longe”
“Tostão a tostão faz um milhão”
“Roma e Pavia não se fizeram num dia”
“Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”
“Quem não arrisca não petisca”
“Quem tudo quer tudo perde”
“A galinha da vizinha é melhor que a minha”
“Mais vale só, que mal acompanhado”
“Mais vale um que saiba mandar, do que cem a trabalhar”
“A culpa morre solteira”

Desta amostra popular, reparei que existem 4 provérbios que incitam à calma e à lentidão dos processos desejados e apenas um que incentiva o contrário.
Para além disso, o provérbio “faz o que eu digo e não faças o que eu faço”, na minha opinião enquadra-se perfeitamente na sociedade portuguesa actualmente. Ou seja, as pessoas sabem o que está correcto (comprar papel reciclado, ajudar as pessoas, andar a pé, …) incentivam outras pessoa a fazê-lo mas muitas vezes não dão o exemplo. O mesmo se passa, por vezes por parte dos líderes políticos…

Outro provérbio interessante é: “quem tudo quer tudo perde”, dado que o princípio por trás do mesmo é o que mais vale não arriscar tudo, por medo de perder. É um bom princípio que pode evitar as pessoas de ficarem na miséria no entanto, é um tanto ou quanto anti-empreendedor.

Outro provérbio interessante é: “Mais vale um a mandar do que 100 a trabalhar”. É devido a esse princípio que temos os gestores comparativamente mais bem pagos da EU?

Por outro lado, as pessoas em Portugal, principalmente em Lisboa, vivem pouco em sociedade, Têm dificuldade em iniciar relações ou mesmo conversas. Entre homens e mulheres, é difícil iniciar o princípio da amizade. A sociedade em geral não está habituada ao mesmo… Daí o provérbio “solitário” de “Mais vale sozinho do que mal acompanhado”.

Um dito popular interessante é o de a culpa morrer solteira. Isto revela que em Portugal, a justiça apresenta problemas de funcionamento e as organizações ou pessoas, ludibriam a sociedade empurrando as culpas uns para os outros… Mais um princípio português preocupante

Por último, a inveja vigora ainda bastante em Portugal. As pessoas têm uma tendência natural da qual nem sempre se apercebem para considerar a vida dos restantes como melhor que a sua. Quer no meio rural, onde as pessoas consideram as terras do lado melhores, quer no meio urbano onde as pessoas invejam o apartamento, o cão ou o dinheiro do “vizinho”.
Em relação às políticas económicas, é inevitável realçar a má aplicação dos fundos concedidos pela UE, fruto de um reduzido controlo governamental e de um factor social que é a inveja e a necessidade do bem individual, para “fazer inveja aos vizinhos”.

Por outro lado, a tradição industrial de produtos têxteis e o recurso à mão-de-obra barata, com a abertura das economias ao exterior têm prejudicado o sector industrial português. As exportações reduziram-se enquanto que as importações, principalmente chinesas aumentaram. A produção de elevada qualidade é ainda muito diminuta em Portugal, que ainda não construiu a sua sociedade do conhecimento, baseada na exigência e sucesso escolar elevados necessárias ao progresso técnico. O sector público tenta dinamizar as escolas de forma errada. Apenas a iniciativa privada tem contribuído para a construção de pólos de conhecimento como o Tagus Park, sendo no entanto apoiados pelo Estado. Estes pólos são aproveitados pelos diversos sectores da economia e contribuem para o aumento da competitividade, seguindo as regras de mercado capitalista. Ao nível das restantes áreas, o sector privado, incapaz de criar consumo através da inovação e do valor acrescentado produzido internamente, optou pela facilitação de créditos e criação de empresas financeiras, aumentando o grau de endividamento das famílias. Numa primeira fase, estimula a economia, mas como consequência pode levar ao aumento do crédito mal parado e consequentemente à estagnação económica que cria desemprego.

Concluindo, Portugal é um país pequeno e fragilizado, sendo que tem gerido mal as suas fases de crescimento económico, não poupando o suficiente para o futuro, no qual haverá sempre uma fase de recessão. São assim os ciclos económicos. Portugal encontra-se na cauda da Europa, ou seja é dos países mais pobres dentro dos países ricos. Apresenta duas cidades ao nível europeu (Lisboa e Porto) e o restante, mais retrógrado. As oportunidades de vida esperadas, fariam bastante consoante o local de nascimento, assistindo-se a elevadas assimetrias entre o litoral e o interior, que impossibilitam a existência das mesmas oportunidades e comprometem mesmo a existência de serviços colectivos como a educação e a saúde em todo o território. É neste sentido que se tem fechado urgências hospitalares no interior, algumas das quais recebiam em média 1 ou 2 doentes por noite, logo era bastante dispendioso. É importante reflectir sobre a situação antes de criticar. A reforma da educação é outra das medidas resultantes dos problemas educacionais que Portugal apresenta.

Agradecia comentários opinativos sobre a parte subjectiva do trabalho.

4 comentários:

Anónimo disse...

Para iniciar, quero mais uma vez felicitar os autores dos textos pela vasta e enriquecedora informação que tentam transmitir a todos os seus leitores.
Infelizmente, todos sabemos os inúmeros problemas pelos quais o nosso País está a atravessar, porém não é inútil alguém que se empenhe a nos relembrar, como é o vosso caso.
É de salientar no redor de tanta informação, o terem recorrido a provérbios para evidenciarem as vivências em Portugal.
Agora como forma de resposta ao vosso título “Que País é Portugal?” posso citar que apesar da sua diminuta dimensão face aos outros países, de certo modo não sabe aproveitar o que lhe é cedido muitas vezes pela UE.
Garantindo-vos que continuarei a ser uma leitora assídua do vosso blogue, despeço-me e agradeço que continuem empenhados para continuarem a fazer um bom trabalho!

Anónimo disse...

Gostei da descrição de Portugal mas....um mapa é sempre óptimo para acompanhar uma descrição porque pelo menos logo se localiza o país no conjunto da Europa e posso colocar questões pertinentes tais como? Que influência terá o facto de estarmos longe das principais áreas de desenvolvimento da Europa, etc.
Quanto aos provérbios pois achei uma análise interessante mas encontrarão provérbios semelhantes em todas as outras culturas.
Já gostei mais da análise "subjectiva" sobre as questões (algumas) que se colocam a Portugal hoje e no futuro. O vosso discurso resulta de leituras várias, vê-se que estão informados. A questão que se segue será: E vocês jovens como vêm o vosso País?
Até um dia destes
emília lemos

Anónimo disse...

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Boa noite

Desde já, Parabéns aos autores do texto!

Gostei muito desta análise que fizeram sobre o nosso país. Principalmente porque foram originais, ao utilizar provérbios populares que identificam na perfeição alguns problemas sociais.

Não é muito habitual encontrar trabalhos desta qualidade feitos por pessoas da vossa idade.

Beijos
Orlanda